); ga('send', 'pageview');

Domingos de Oliveira, que conheci na minha adolescência, morre aos 82 anos

Conheci DOMINGOS DE OLIVEIRA na minha adolescência.

Sua cobertura no Bairro Peixoto era um point de jovens artistas, poetas, beatniks e desgarrados de todas as tendências políticas que reuniam-se na casa de um jovem desquitado e que tinha um apartamento próprio – coisa rara naquela turma. Ele era o mais velho e promovia um Natal disputado. Faziam parte dessa fauna Joaquim Assis, Claudio Macdowell, Luiz Bené, Ivan de Albuquerque, Ginaldo de Souza, Ionita Salles, Maria Gladys, e outras moçoilas que mais tarde despontariam no cenário artístico e cultural da cidade.
Eu e Leila Diniz frequentávamos eventualmente suas festas, as apresentações caseiras de seu espetáculo. Somos todos do jardim da Infância, e foi num desses natais que Leila foi ficando por ali e os dois se casaram. Dois anos depois, com o fim do relacionamento, e ela já tendo estreado no teatro infantil, também numa peça ao lado de Cacilda Becker e como corista num show da famosa boate Fred’s, e na intenção de reatamento, Domingos realizou um dos maiores sucessos do cinema brasileiro – Todas as mulheres do mundo, com Leila protagonizando e alavancando sua carreira definitivamente, rumo ao sucesso das telenovelas e dos filmes. Mas o casamento acabou mesmo.

Paulo José e Leila Diniz em Todas As Mulheres do Mundo

Já um profissional de cinema, trabalhei por algumas semanas no seu filme É Simonal, como Assistente de Direção – que abandonei por não me sentir à vontade naquele tipo de empreitada meramente comercial, eu oriundo dos filmes de Nelson Pereira dos Santos. Mas fui dos poucos que aplaudiu, nos anos 70, o seu filme mais autoral e o que mais gosto, A culpa – pouco citado na sua longa trajetória como cineasta de muitos e premiados filmes.
Muitas vezes divergimos publicamente sobre a condução da política cinematográfica, as formas de Produção dos filmes, e a maneira de conduzirmos nossas reivindicações. Polemizamos através da Imprensa. Mas sempre sem perder a ternura – uma de suas maiores características.
Sempre afetuoso, encontramo-nos muitas e muitas vezes, nas estreias , nos festivais – como na Feira do Livro de Ribeirão Preto, onde participamos de uma mesa sobre Cinema & Literatura , ao lado de Tizuka Yamasaki e Beto Brant, no lindo Teatro Municipal.
A última vez que estivemos juntos, na pré estreia do curta do amigo em comum André Mattos, celebramos nossa amizade de tantos anos de vida registrada pelas câmeras dos repórteres e amigos.
Adeus, Dimanche ( como o chamava Leila) !

Parte da história do teatro e do cinema brasileiros e da minha história pessoal.