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Gulbenkian recebe exposição interativa sobre o Cérebro: mais vasto que o céu

Neste sábado (16), a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, recebe a exposição Cérebro: mais vasto que o céu, do artista-cientista ALAgrApHY, nome artístico de Alaa Abi-Haidar. Inspirado pelo poema de Emily Dickinson, The brain – is wider than the sky, a exposição inicia-se com a apresentação de um cérebro sem qualquer recurso à informação científica, com imagens deslumbrantes da peça Self reflected de Greg Dunn e Brian Edwards. Neste primeiro módulo são proporcionadas experiências imersiva, emocional e sensorial, conduzindo o visitante para dentro de um cérebro. A Orquestra de Cérebros, localizada no centro deste módulo, possui a instalação multimédia onde quatro visitantes podem visualizar e ouvir, em simultâneo, a sua atividade cerebral. Os sinais, captados por um capacete, são projetados numa tela de grandes dimensões e a sua tradução em sons foi desenvolvida por Rodrigo Leão.

Para além das artes, a exposição Cérebro: mais vasto que o céu é narrada e estendida ao campo das ciências, humanidades e filosofia, e retrata a origem do cérebro e a sua complexidade, bem como os desafios das mentes artificiais. Patente até o dia 10 de junho de 2019, são mostrados nessa exposição: um cérebro com 500 milhões de anos e um cérebro moderno com documentos históricos e paleontológicos, uma sinapse interactiva gigante suspensa do teto e que faz o neurónio disparar em reação à presença de visitantes, fragmentos de um papiro egípcio, um quadro da artista Bridget Riley, uma orquestra de cérebros, robôs, pintura, modelos tridimensionais e infográficos.

Crânio Trepanado Alcanena, Lapa da Galinha, Neolítico Final / Calcolítico Museu Nacional de Arqueologia

Nos dois primeiros módulos da exposição são exploradas a origem e a complexidade do cérebro, e as características humanas sobre memória, percepção, linguagem, emoções, e doenças decorrentes do mau funcionamento de diferentes componentes deste sistema. A origem dos cérebros, enquanto processo de evolução biológica, serve para apresentar a complexidade do cérebro humano como parte de um contínuo evolutivo. A reflexão do lugar humano na natureza com modelos de cérebros de diferentes vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) que ilustra como estes grupos têm cérebros muito diferentes, mas constituídos pelas mesmas partes.

Rede neural de neurónios da retina de ratinho

O terceiro módulo da exposição aborda a tecnologia de interface cérebro-máquina e as suas aplicações, a inteligência artificial e a robótica. Mostra-se também como a atividade cerebral está a ser utilizada para controlar utensílios externos, incluindo em contextos biomédicos por doentes com incapacidades motoras. Recorrendo a uma tecnologia idêntica, os visitantes poderão jogar Mindball, um jogo de futebol mental em que duas pessoas se defrontam movimentando uma bola em direção à baliza do adversário, com base nas suas ondas cerebrais.

O artista

ALAgrApHY é o nome artístico de Alaa Abi-Haidar, que é tanto cientista como artista. Doutorado em Informática pela Indiana University (EUA), Abi-Haidar tem ainda um pós-doutoramento na Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris. Atualmente, é artista residente no Instituto Gulbenkian de Ciência, faz investigação em inteligência artificial e em ciência de dados, em Paris, mas paralelamente arranja tempo para fotografia, pintura e realização de filmes.

Nos últimos tempos, ALAgrApHY tem trabalhado como artista-cientista, explorando conceitos na arte gerada por máquinas; utiliza inteligência artificial e aprendizagem automática, mais precisamente o deep learning, para ensinar as máquinas a criar arte.

As suas obras têm sido exibidas em vários locais, como o Salon Comparaison no Grand Palais, em Paris (onde exporá de novo em fevereiro de 2019), e no Salon d’Automne (conhecido por iniciar os movimentos do Cubismo e do Fauvismo) nos Campos Elísios. Neste último, ALAgrApHY ganhou o prémio de arte digital.

 

Cérebro: mais vasto que o céu

Preço: 5€

Data: 16 mar – 10 jun 2019 10:00 – 18:00 (encerra à terça)

Local: Edifício Sede – Galeria Principal Av. de Berna, 45A , Lisboa