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Ator Caio Junqueira morre após sofrer grave acidente

Conheci Caio Junqueira quando ele deveria ter uns 5 ou 6 anos de idade. Eu era Produtor contratado do filme Bar Esperança, do Hugo Carvana, à convite do Produtor Carlos Diniz, e ele vinha visitar o irmão Jonas Torres nas filmagens – que interpretava genialmente o filho do casal protagonista ( Hugo e Marilia Pera). À partir daí, de longe, acompanhei com entusiasmo o surgimento desse grande ator principalmente nas telas do cinema ( Com licença, eu vou à luta, de Lui Farias, entre outros).

Em 1996, quando me preparava pra filmar FOR ALL, O TRAMPOLIM DA VITÓRIA, por sugestão de meu parceiro na Direção Buza Ferraz, convidamos Caio para interpretar um personagem, que ele ajudou a desenvolver com a sua sensibilidade e o seu carinho. Dirigi-lo foi um dos imensos prazeres que este filme me deu. Ele estava ao meu lado, na premiação do Festival de Gramado, e ajudou-nos a descer do palco com as estatuetas dos muitos prêmios que ganhamos, nos dias inesquecíveis que passamos naquela linda cidade. Ele e sua inteligência, seu bom humor, sua delicadeza de ser.

Caio Junqueira e Alexandre Barros (1996)

Nos tornamos amigos e novamente contei com seu sensível desempenho no meu filme VIVA SAPATO! (2004).Os dias hospedados na Ilha de Paquetá consolidaram seu romance com a atriz cubana Laura Ramos, protagonista do filme. Na pós-Produção em Madrid, por ser a residência dela e eu usufruir, por força do contrato da Coprodução, daquela linda cidade, estávamos sempre juntos.Depois do trabalho, a festa que é a Espanha.Jantares organizados por meu ator Jorge Sanz, para me apresentar aos diretores espanhóis como Fernando Trueba, Bigas Luna e Pedro Almodóvar, irmão e Produtor de Pedro, num clube inglês, entre muitos outros encontros e passeios nossos.

VIVA SAPATO! (2004). Caio com Paula Burlamaqui e Laura Ramos

A paixão deles me sensibilizou e produziu muitos outros encontros felizes no Rio, em La Habana e em Fortaleza.Cheguei a hospedá-los na casa de um amigo. Depois, a vida nos afastou. Sempre pontuadas por promessas de novos encontros através de msgs e telefonemas. Mas com a mesma emoção e amor que só as grandes amizades conservam.

A última delas, no final de dezembro passado, marcava pra depois do reveillon o nosso reencontro. Já ouvi dezenas de vezes sua voz no meu celular. Não tenho coragem de apagá-la.

Sua imagem está eternizada nesses nossos filmes.

Sua falta consolida esse sentimento de perda incurável como é até hoje a morte de meu filho.

Eu te amo foram as últimas palavras que me disse o meu amigo.