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UM TANGO SILENCIOSO

Cada imagem vale o peso dos seus silêncios. Vale mais? Vale menos? Penso que não há medidas que lhes valham pois cada silêncio ou grito interior é subjectivo. E subjectiva é a minha forma de ouvir este trabalho apresentado pelo fotógrafo Luis Ramos. Oiço e vejo a coreografia das suas imagens (uma dança díptica) e tento encontrar o meu próprio ritmo; esforço-me para não tropeçar nos obstáculos (subjectivos) que podem ferir a minha leitura, também ela subjectiva e, por isso, vale o que tiver que valer.

SÃO PRECISOS DOIS PARA DANÇAR O TANGO #1

Silêncio, díptico, tango/dança! Como harmonizar num único conceito esta proposição que agora se apresenta no seu palco público, na cidade de Almada? Segundo Luís Ramos, o tema começa a ganhar consistência ou motivação, a partir de um pensamento do escritor António Lobo Antunes que explicava numa entrevista sobre o seu processo criativo que respondeu: sabe, às vezes a gente vai a passear e encontra um botão caído no meio da rua. E depois manda fazer um casaco para esse botão. Para o fotógrafo, esta exposição, é o resultado de uma série de botões encontrados entre 2006 e 2014, não só em Portugal, como noutras partes do mundo e que ele reuniu para fazer este casaco de duas abas.

É desta forma que o fotógrafo vê, sente, se expõe… é a sua forma de dançar um tango, também ele é um dançarino, invisível, silencioso; o primeiro a entrar no palco e o último a sair, mas não sai nunca pois há outros ritmos além deste tango.
É ele quem pede emprestado a coreografia das pessoas e objectos reais e a devolve em formato de personagens. Seus silêncios, dípticos, ritmos estão em constante diálogo e agora conversam comigo e obrigam-me a sair da zona de conforto e a dançar.

Cada imagem (ou cada duas imagens) vale o que você lá encontrar… o palco agora é seu! Quanto vale (quanto pesa) o seu silêncio?

São precisos dois para dançar o tango, de Luis Ramos. Exposição patente de 7 de abril a 30 de julho 2016. Horário. Segunda a sexta:10h às 12h30 e 14h às 18h e sábado 14h às 18h. Galeria Municipal de Arte, Avenida D. Nuno Álvares Pereira, nº 74 – A, Almada Tel.: 21 272 47 24.

avatar_renato_rosaColuna – Ozias Filho
Ozias Filho, brasileiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1962.  Jornalista, Escritor, Editor e Fotógrafo. Tem publicado os seguintes livros: Poemas do Dilúvio, Páginas Despidas, O relógio avariado de Deus, Insulares (poesia); Só agora vejo crescer em mim as mãos de meu pai, Mensageiro das Estrelas (prosa); Santa Cruz, Ar de Arestas e Instagramo-te (Fotografia). É Editor nas Edições Pasárgada.

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