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O TEMPO QUE FICA

© Fidalgo PedrosaEm tempos escrevi um breve texto com um propósito de que já já não me lembro e que dizia o seguinte: o tempo voa quando estou contigo, no entanto ele é e está neste agora. Um tempo que se traduz pleno, único (também múltiplo), eterno; contraditório e, ao mesmo, assertivo.

Este texto que encerra algumas ideias me vem à cabeça tendo em vista o livro, e consequente exposição, do fotógrafo Fidalgo Pedrosa, denominado O tempo não para. Título curioso ao espreitarmos cada uma das imagens que complementa a sua trajectória artística, entre 1975 e 2015.

Realmente, ele, não pára; quer o tempo, que rege tudo e todos; quer o fotógrafo; quer o objecto fotografado; quer o olhar alheio que observa a leitura que o fotógrafo faz sobre o objecto fotografado.

Este tempo, que não pára, que voa e nos mostra as mazelas do dia a dia, não perdoa, mas também é dádiva pois cada instante escrito na memória do relógio é momento vivido e por isso passado e por isso concorda com o título do livro… e por isso é contraditório e certeiro, pois este tempo registado é tempo eterno é momento que fica no nosso ADN, na nossa história de vida pessoal.

Somos eternos naquela visão específica do artista, na fracção do segundo que regista com a sua máquina, pois no segundo seguinte já não existimos para o fotógrafo e, portanto, o tempo pára, o tempo envelhece, mas ele existe no quase beijo na boca entre o homem e o seu cão amarrado ao banco; no senhor que aterriza ao passeio carregado por pombos; no pés sem corpo, só silhuetas, no Centro Comercial Vasco da Gama; na alegria dos miúdos junto à agua; na bicicleta veloz, quase fantasma, de um qualquer ciclista …. nas várias coreografias da escrita da luz.

As fotografias de rua (boa parte feita em ambientes externos) têm esta magia de nos prender a atenção pois que rapidamente nos identificamos com ela. Assim nos expõe Fidalgo Pedrosa, com estes 40 anos feitos em imagens, não só esta beleza do cotidiano que nos bate à porta mas também – porque o tempo não pára – a nossa finitude.

Exposição Projecto 40 – o tempo não para, de Fidalgo Pedrosa – A Pequena Galeria. Av. 24 de Julho , 4C, Lisboa – Até 07 de maio, depois a exposição segue para a Galeria Municipal de Faro.

avatar_renato_rosaColuna – Ozias Filho
Ozias Filho, brasileiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1962.  Jornalista, Escritor, Editor e Fotógrafo. Tem publicado os seguintes livros: Poemas do Dilúvio, Páginas Despidas, O relógio avariado de Deus, Insulares (poesia); Só agora vejo crescer em mim as mãos de meu pai, Mensageiro das Estrelas (prosa); Santa Cruz, Ar de Arestas e Instagramo-te (Fotografia). É Editor nas Edições Pasárgada.

4 Comment

  1. Maria José Saraiva says:

    Gostei!Escreve bem e descreveu bem a exposição!

    1. Ronalee says:

      That’s a genuinely impvsesire answer.

  2. Rosilene Martins says:

    Belíssima crônica Ozias, palavras certeiras e uma sensibilidade poética muito grande que sempre encantam.

  3. Johnetta says:

    Okay I’m coennicvd. Let’s put it to action.

Comentários fechados.